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Em um relato de rara franqueza, o escritor e poeta Tito Leite revisita sua experiência de internação em uma clínica terapêutica para religiosos, onde reflete sobre a vida no mosteiro, as contradições da Igreja e a própria fé.
?Buscava verdadeiramente a Deus, mas no caminho me perdi?, escreve Tito Leite nestas memórias de um homem dividido entre uma existência monástica e o desejo de experimentar intensamente a vida mundana. Um monge transgressor, por vezes inconsequente, mas também terno e sonhador. Quantas vezes teve que pular o muro para retornar ao claustro após intermináveis noitadas em Olinda? Até que o abade o convida a se internar numa clínica de reabilitação para religiosos que fogem às regras ? em especial por sua adição ao álcool e quebra do voto de castidade. Ele chega então à Casa dos Malditos, onde começa o seu maior martírio e a sua possível redenção.
?Entre as paixões ?mundanas? e um retrato duro e pessoal da fé, Tito escreve um livro de profunda honestidade. Sua obra evoca grandes personagens, reais e fictícios, que enfrentaram impasses semelhantes ? como Santo Agostinho, Padre Amaro e o próprio Thomas Merton. Este último, citado pelo autor, recorda-nos o quanto de vida pulsante pode haver sob o hábito de um monge.? Itamar Vieira Jr.